| Eleições no GOL |
| Sexta, 06 Junho 2008 22:45 |
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António Reis recandidata-se a chefe da maior obediência maçónica portuguesa. Enfrenta Filipe Frade, coronel reformado. No sábado saber-se-á o resultado. Divide-os a gestão do valioso património imobiliário da instituição, cujo valor ascende a milhões de euros. Membros do GOL ontem ouvidos pelo DN adiantaram que a principal divisão entre Reis e Frade reside na solução para a gestão do valiosíssimo património imobiliário da instituição. Estão em causa, nomeadamente, edifícios situados no centro de Lisboa, e cujo valor ascende a milhões de euros. O GOL tem como braço legal o Grémio Lusitano, instituição com número de contribuinte e personalidade jurídica formalizada. António Reis pretende, na órbita do Grémio, criar uma Fundação Grémio Lusitano. Ela irá, segundo o programa apresentado pelo recandidato a grão-mestre - e a que o DN teve acesso - "contribuir decisivamente para a salvaguarda e valorização de todo o património" da obediência. Isto através de "meios de gestão em moldes adequados aos tempos actuais, capazes de rentabilizar todo o património" do GOL. "Este impulso [para a criação da Fundação Grémio Lusitano] foi sem dúvida decisivo para deixarmos de ser um conjunto de lobbies com interesses distintos e nos tornarmos uma verdadeira Obediência, dotada dos meios próprios para a prossecução dos fins próprios da Maçonaria", lê-se ainda no programa de António Reis. Segundo o DN apurou, Filipe Frade contesta esta solução para a gestão do património imobiliário do Grande Oriente Lusitano. Aparentemente, receia que ao concentrar-se a gestão de "todo o património" numa instituição formalmente externa ao GOL, este acabe por perder o seu controlo. No seu programa de candidatura, a que o DN teve acesso - e que está escrito numa linguagem quase ininteligível para qualquer "profano" (não-maçon) - diz que está "instalada" a "confusão entre construção maçónica e construção civil". E esta "confusão" - acrescenta - "não é apenas um retrocesso, antes revela o método que tem passado do exterior - a visualidade das obras públicas - para o interior, em tais circunstâncias de forma infamante e lesivo da Honra e Dignidade Maçónicas." Ou seja: Filipe Frade opõe-se à concentração num só organismo maçónico da gestão de "todo o património" da obediência, como defende Reis. E se o seu projecto se concretizar, isso significa que se está na "iminência de actos que vão contra a integridade das Lojas". |