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MAÇONARIA QUER INTEGRAR CELEBRAÇÕES DA RÉPUBLICA

Organização Maçónica GOL quer ter lugar na Comissão Consultiva

A Maçonaria está satisfeita com a comissão nacional que vai coordenar a organização das comemorações oficiais do centenário da instalação da República, em 2010. Contudo exige ter lugar n Comissão Consultiva desta comissão, ainda por nomear, que terá um poder de visto prévio nas iniciativas programadas pela Comissão nacional, a qual será presidida pelo banqueiro Artur Santos Silva, fundador do BPI.

“É uma excelente comissão que tem todo o nosso acordo”, disse ao DN o historiador (e militante do PS) António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano (GOL), a principal obediência maçónica em Portugal. Reis sublinhou a “figura consensual” que é no seu entender, Artur Santos Silva (que o DN tentou, em vão, contactar).

A comissão será presidida por Artur Santos Silva, integrando ainda João Serra (ex-chefe da Casa Civil do Presidente Jorge Sampaio), as professoras universitárias Fátima Rolo e Raquel Henriques da Silva, e o jornalista Francisco Sarsfield Cabral.

Falando ao DN, António Reis não se queixou da ausência da representação oficial do GOL nesta comissão: “O Grande Oriente Lusitano não tinha necessariamente de ter uma representação”.

Contudo, espera que a obediência maçónica que lidera tenha representação na Comissão Consultiva que há-se ser nomeada pelo Ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, com 15 personalidades de “reconhecido mérito e relevância cívica”, para, como diz a lei “assistir” a Comissão Nacional, “designadamente no que diz respeito à definição do programa das comemorações”. “Aí teremos com certeza alguém”, afirmou.

António Reis saudou ainda, pela positiva, o facto de a Comissão Nacional, nomeada pelo Presidente da República sendo os nomes propostos pelo Governo, integrar um elemento ligado à hierarquia da Igreja Católica, Francisco Sarsfield Cabral, director de informação da Rádio Renascença. “Conheço-o há quarenta anos. Sempre foi um democrata. É uma excelente escolha para cobrir também essa área da sociedade”.

A Comissão Nacional agora escolhida foi antecedida de uma “comissão de projectos” liderada por Vital Moreira e em que o GOL teve assento oficial, através de António Reis.

Essa comissão preparou uma intensa lista sugerindo iniciativas. Mas foi mais longe, dizendo que as celebrações do centenário deveriam constituir também “um impulso para reformas legislativas” como por exemplo a legalização dos casamentos gay. Cavaco Silva chumbou a ideia dizendo que as celebrações deveriam “unir os Portugueses” ao “invés de os dividir a pretexto de causas controversas”.

Os MAÇONS NÃO QUEREM TOMAR O PODER

Ao fim de 10 anos, um dos chefes maçónicos de Portugal vai abandonar o cargo. Vai haver festa em Lisboa.

Chamam-lhe o “Patriarca”, em atenção, sem duvida, às suas barbas e cabelos brancos. Está na maçonaria desde antes do 25 de Abril e , para um “profano” (assim de designa que não é “Maçon”) só o nome do seu cargo revela todo um mundo desconhecido: Soberano Grande Comendador do Supremo Concelho do Grau 33 em Portugal! É uma espécie de máximo responsável da “Universalidade maçónica”, que é uma coisa diferente de ser Grão-Mestre, que é uma autoridade maçónica do Pais. Complicado?

José Carlos Nogueira, 67 anos, empresário reformado e psicólogo, eleito há 10 anos, abandonará o cargo daqui a uma semana, no decorrer de uma cerimónia “branca” (com presença de profanos convidados) durante a qual investirá o sucessor: Agostinho Garcia, gestor de 64 anos que já era o seu “numero dois” e cuja principal característica é, segundo dizem, a descrição. Maçon, em suma.

A festa , no próximo fim-de-semana, vai trazer pela primeira vez a Lisboa, sete dezenas de “Irmãos” dos mais altos graus maçónicos, vindos pelo menos de 30 países. E marcado está também para Portugal o congresso mundial da Maçonaria, em 2015. Será a reunião de todos os Supremos Concelhos, cujos membros (do grau 33, o mais elevado) dirigem a “obediência” e inspeccionam as lojas.

José Carlos Nogueira representa apenas umas das “obediências” maçónicas em Portugal, a Grande Loja Legal de Portugal/GLRP (o R é de regular), uma dissidência oficializada em 1991 do Grande Oriente Lusitano (GOL). Entre os vários ritos e tradições diz-se que haverá cerca de 3000 ”Maçons”, alguns no Governo ou outros postos de responsabilidade. É verdade? Diz o “militante maçónico” José Carlos Nogueira: “Não posso dizer que sim, mas penso que sim”. É sim.

Rejeita todavia a ideia de que a maçonaria é uma fonte de poder e defende que ela é “uma escola”. Lança farpa ao GOL, censurando-o por “assumir um papel politico demasiado activo”. Esclareça-se que ele próprio já foi membro de uma Comissão Nacional e da Comissão Directiva do PS no pós 25 de Abril, mas hoje é um militante de base.

Seja como for, conforme diz, “um bom Maçon reflecte as preocupações de intervenção social da Maçonaria e defende as suas ideias, onde quer que esteja”. Uma agenda secreta, então? Não, “a perspectiva não é a tomada de poder”, embora um Maçon “tenha a obrigaçºao de ajudar os governos”. Até porque, “a maçonaria é sempre uma maneira expedita de resolver problemas” e mais ainda ao reunir transversalmente “Irmãos” de várias confissões religiosas e credos políticos em vários países.

Exemplos? Timor. Um lobi de “Maçons” Portugueses ajudou Ramos Horta a remover não poucos obstáculos e a rede de contactos internacionais que a maçonaria proporciona tem valido em várias situações, percebe-se. Como Soberano Grande Comendador, virou a sua acção para o desenvolvimento da maçonaria em Africa, em particular nos PALOP, todavia ainda “sem massa critica” para instituir uma Grande Loja (pelo menos 35 membros). E criou o primeiro Supremo Concelho negro, no Togo.

“Individuo preocupado com o mundo à sua volta”, José Carlos Nogurira lança o alerta para o que é a sua grande inquietação: o ambiente e as suas alterações climáticas. “O homem está em guerra com o planteta e ele responde-nos dando cabo de nós. O capitalismo atingiu o zénite ao querer transformar a comida em combustíveis. É um crime”. O estado da Europa preocupa-o: “À beira de uma viragem, se não dramática, pelo menos profunda”.

Quanto a Portugal, “desiludido com a politica” embora, não deixa de avisar que “é precisiso estar atento a Manuela Ferreira Leite ou a Santana Lopes”. Já Sócrates merece-lhe um grande elogio: “É profundamente democrático”.

DURÃO BARROSO RECEBE MAÇONARIA

António Reis integrou uma delegação de representantes da maçonaria europeia que foi hoje recebida pelo chefe do executivo europeu, o que acontece pela primeira vez.

Em declarações à Agência Lusa, no final da reunião, o grão-mestre do GOL sublinhou que "o encontro correu de maneira muito cordial e desfizeram-se alguns mal-entendidos" a propósito de um discurso proferido por José Manuel Durão Barroso, em Setembro último, durante um encontro ecuménico, na Roménia.

"Demos conta que existe, afinal de contas, uma grande consonância entre as nossas posições, nomeadamente na defesa da laicidade na Europa", referiu ainda o antigo deputado socialista.

Reis sublinhou também que encontrou em Durão Barroso "o apoio àqueles que são também os nossos valores: a liberdade de consciência, a defesa da liberdade religiosa - que é a de ter religião mas também de não ter - e saímos daqui muito tranquilos".

A atestar a boa relação com esta comunidade de convicção, o presidente da Comissão Europeia irá enviar uma mensagem ao próximo encontro maçónico europeu, dia 20 Junho, em Atenas.

António Reis disse ainda que Durão Barroso aceitou um convite pessoal para visitar a sede do GOL, no palácio Maçónico de Lisboa.

Por seu lado, fonte próxima do presidente da Comissão Europeia disse à Lusa que este está aberto ao diálogo com todas as comunidades religiosas e de convicção, referindo ainda que, no início do encontro com os sete responsáveis maçónicos europeus Durão Barroso releu o discurso proferido no encontro ecuménico de Sibiu.

Na próxima terça-feira, António Reis regressa a Bruxelas para participar numa reunião do comité de especialistas para orientar a criação da futura Casa da História Europeia, que integra.

O grupo, escolhido Parlamento Europeu é composto por dez personalidades europeias.

A Casa da História Europeia é um projecto que tem como objectivo reunir numa casa comum todos os aspectos da história do Continente europeu que, da Segunda Guerra Mundial aos nossos dias, estiveram na origem da instituição das Comunidades Europeias e da União e caracterizaram o processo de integração.

EM NOME DA REGULARIDADE

A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP reclama-se de representar e ser reconhecida pela chamada maçonaria regular em todo o mundo, maioritária no movimento maçónico universal, que reúne cinco a seis milhões de membros. Perto de metade estão nos Estados Unidos, a grande “potência maçónica”, onde foram Maçons 15 dos seus presidentes.

Este ramo da actual maçonaria portuguesa constituiu-se como uma dissidência do GOL, a “obediência “ maçónica tradicional em Portugal, tendo optado pelo nome de Regular porque respeita as 12 regras maçónicas (ao invés do GOL por isso denominado de irregular). Essas normas obrigam, entre outras coisas, a crer num ente supremo, Deus, ou o Grande Arquitecto do Universo. A Grande Loja, mais relacionada com o ramo anglófono acaba mais tarde por incluir o termo Legal porque sofre por sua vez uma dissidência, em 97-98. Foi a que veio a chamar-se “Casa do Sino” de José Braga Gonçalves, gestor da Univ. Moderna, que lhe usurpou o nome, era então grão-mestre Nandim de Carvalho. Hoje, a Grande Loja conta com cerca de 1100 membros (menos que o GOL) e o grão-mestre é Mário Martin Guia

LIVRO “A MAÇONARIA E OS AÇORES”

O Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo promove dia 16 de Maio, em Ponta Delgada, a apresentação pública do livro “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)”, da autoria de António Lopes.

A apresentação da obra, que decorrerá na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a partir das 21 horas, vai estar a cargo de Carlos Enes.

O autor de “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)” é director do Museu Maçónico Português, cargo que acumula desde 2003 com as funções de presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, membro do Conselho Cultural da Associação Industrial Portuguesa e consultor do Instituto do Património.

O Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo promove dia 16 de Maio, em Ponta Delgada, a apresentação pública do livro “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)”, da autoria de António Lopes.

O Centro de Conhecimento dos Açores da Direcção Regional da Cultura da Presidência do Governo promove dia 16 de Maio, em Ponta Delgada, a apresentação pública do livro “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)”, da autoria de António Lopes.

A apresentação da obra, que decorrerá na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a partir das 21 horas, vai estar a cargo de Carlos Enes.

O autor de “A Maçonaria Portuguesa e os Açores (1792-1935)” é director do Museu Maçónico Português, cargo que acumula desde 2003 com as funções de presidente da Associação Portuguesa de Arte Fotográfica, membro do Conselho Cultural da Associação Industrial Portuguesa e consultor do Instituto do Património.